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Coluna Se Cuida | ‘Essa tal felicidade’

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São tempos difíceis para as pessoas que por motivos muito íntimos, não conseguem ser felizes durante os 365 dias do ano. A internet está repleta de furos, coaches e exímios professores ensinando e muitas vezes mostrando que se quisermos ser felizes, temos que ser gratos por tudo, até mesmo pelas coisas ruins que nos acontecem, que devemos ignorar as emoções negativas, pois elas nos deixam mais distantes de chegar a tal felicidade. 

Na avalanche de imposições disfarçadas de dicas, chegamos à seguinte fórmula difundida incansavelmente por aí: demonstre gratidão, cultive o otimismo, evite refletir demais, administre o estresse, viva no presente, e aproveite os pequenos prazeres da vida. Mas será mesmo que isso basta? 

Uma teoria um tanto quanto simplista, que no mundo de pessoas reais, não faz sentido. Afinal, a maioria de nós não tem acesso a melhores oportunidades sanitárias, educacionais e econômicas, ou à condições de saúde seguras e livres de perigo, ou ainda a um futuro promissor para os filhos, isso citando só alguns dos vários pontos que nos levam sim à refletir, quando pensamos que as dicas para chegar a felicidade incluem cultivar o otimismo. Então, o que realmente é necessário para ser feliz?

 É possível que não exista uma fórmula, pois o que gera a sensação de bem estar em algumas pessoas, pode perfeitamente ser insignificante para outras. Há pessoas que se sentem felizes em ajudar o próximo, em fazer diferença no mundo ou na vida de alguém, há pessoas que se sentem felizes pelo status que possuem, há infinitas razões e motivos que levam, infinitas pessoas a afirmarem que estão ou são felizes, e elas não se resumem à uma fórmula, à uma regra ditada por pessoas que não estão na pele de outras para saberem o que é felicidade para elas. 

É preciso se conhecer e se aceitar a ponto de reconhecer o que nos faz sorrir, pelo que de fato somos gratos, e mais que isso, precisamos acolher nossa condição humana : somos falhos. 

A ideia de convencer as pessoas de que esforço e resiliência são o único caminho, pode gerar graves consequências emocionais e psicológicas, uma delas bem conhecida com a Pandemia pela Covid, a ansiedade patológica. 

O efeito nocivo por tentar a todo custo escapar, evitar, sufocar ou silenciar suas emoções negativas, será sentido, e disso você talvez não consiga fugir. 

Danielle Loureiro 

Psicóloga

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