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‘Sala de Games’: Um Pouco Antes do Começo De Uma Nova Era

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'Sala de Games': Um Pouco Antes do Começo De Uma Nova Era

É curioso pensar sobre como as coisas mudam. Até mesmo as mudanças mais severas e as evoluções mais drásticas vão, mais cedo ou mais tarde, virar rotina. Porém, com isso vem o esquecimento de como as coisas eram antes, talvez pois uma geração que era muito nova (ou nem tinha nascido) assumiu o controle do discurso ou pelo fato de que, quer nós queiramos ou não, a nostalgia tende a pregar peças em nossas memórias.

Bom, acredito que afirmar que 2020 foi um ano de mudanças radicais não seria novidade para ninguém, porém, ouso dizer que, caso você não seja uma pessoa muito próxima com o cenário dos jogos, talvez não tenha percebido o quanto os videogames mudaram no novembro daquele ano.

Pois foi em novembro de 2020 que o Playstation 5 e a família Xbox Series foram lançados e terminaram uma era que durou por 15 anos.

O xbox 360 e o Playstation 3 foram máquinas com um poderio absurdo para a época em que foram lançados. Graças a eles, a alta definição passou a ser, de certa forma, a norma entre os jogos e pessoas do mundo todo conseguiram ter, em seus quartos ou salas de estar, experiências com uma qualidade visual que era, para todos os efeitos, sem precedentes.

Tamanha foi sua relevância que em breve teremos um texto dedicado unicamente à uma saudosa despedida para o terceiro console da Sony.

De todas as qualidades que podemos atribuir a eles, a que melhor os resume é a de excelentes máquinas que duraram muito tempo. Porém, esse também foi o seu maior defeito. A sétima geração de consoles durou tempo demais..

COMO AS COISAS COSTUMAVAM SER

O que era consideravelmente poderoso em 2005 deixou de ser com o passar dos anos.

Obviamente, isso ocorre com qualquer tipo de tecnologia, contudo, como os consoles dessa geração duraram até 2013 (ou mais, se levarmos em consideração alguns jogos), os desenvolvedores estavam limitados por máquinas que já bem antes do fim de sua expectativa de vida estavam desfasadas.

Infelizmente, quando a geração seguinte chegou, formada pelo Playstation 4 e Xbox one, um aspecto dela já chegou fraco: o processador. Não iremos entrar nos pormenores da tecnicalidade de como essa parte funciona, o que é importante saber é que para os desenvolvedores, era decepcionante.

Um jogo emblemático dessa geração foi assassin’s creed Unity, em razão de uma performance que, sendo generoso, deixava a desejar. Conforme diz a lenda, o jogo estava em desenvolvimento bem antes dos novos consoles serem anunciados e, quando o poderio deles foi revelado, principalmente quanto ao processador, os desenvolvedores perceberam que não seria capaz de rodar como imaginavam.

Ainda que o Playstation 4 e o Xbox One fossem máquinas fortes e, principalmente, com excelentes jogos, as limitações eram visíveis. A performance era um tanto limitada, resultando na maioria dos jogos dessa geração rodarem em 30 FPS (o importante a saber é que o ideal é 60), e o tempo de carregamento nos jogos era consideravelmente longo.

Pode não parecer muito, mas, nos jogos, limitações técnicas limitam a arte e qualidade.

Um desempenho ruim atrapalha o aproveitamento de um bom jogo e ressalta os seus defeitos. Você fica menos motivada a tentar novamente após uma falha quando isso significa aguardar um minuto ou até mesmo mais, da mesma forma que a imersão na obra é dificultada por problemas técnicos e de performance.

Além disso, há uma falha que transcende as limitações gráficas e de desempenho, a qual receberá um texto unicamente para si: a retrocompatibilidade.

A noção de que seus jogos e periféricos (como controles) continuem funcionando em novos videogames da mesma família não foi, por um bom tempo, uma garantia.

Caso você tenha acumulado uma invejável biblioteca de jogos de Playstation 3, eles não irão funcionar no quarto console, o que também foi verdade no caso do xbox, pelo menos nos primeiros anos do Xbox one.

A impossibilidade de revisitar os clássicos de outras épocas foi – e de certa forma ainda é – um dos maiores problemas que todo e qualquer console enfrentou. Não falo aqui que todo o jogo feito em 1999 necessita funcionar, por meio da sua mídia original, no videogame mais atual.

A questão está no fato de que nem mesmo uma forma oficial e legal está disponível para que quem deseje comprar jogos antigos digitalmente. Sem o uso de um computador, jogos das mais diversas gerações passadas estão, coincidentemente, no passado.

UM FUTURO (MUITO) MELHOR

Agora, este texto fica ligeiramente pessoal. Foi por essas razões que sempre preferi jogar em um computador. A possibilidade de ter um poderio mais forte que os consoles (por um preço igualmente maior), o qual fazia com que os jogos funcionassem de uma forma melhor; junto com a possibilidade de rodar, na mesma máquina, obras lançadas com décadas de diferença, simplesmente sempre foi mais atraente.

Isso durou por 15 anos, até o anúncio da atual geração.

Pela primeira vez desde que os consoles almejaram a alta definição, em um distante 2005, tanto uma excelente qualidade visual quanto um desempenho agradável são alcançáveis em larga escala.

Porém, mais do que meras máquina “mais rápidas e mais fortes” do que suas antecessoras, a nova geração está conectada com seu passado de uma maneira mais abrangente do que nunca. Principalmente quando é levado em conta o que a Xbox tem feito para manter os jogos de gerações passadas acessíveis em consoles mais atuais.

Contudo, independentemente de usar as máquinas da Microsoft ou o mais novo Playstation, o ato de jogar e de fazer jogos foi mudado para melhor, de uma maneira tão drástica quanto imperceptível.

Muito embora a segunda parte do presente texto de um enfoque maior no Xbox Series X, por ser o console deste que vos escreve e por trazer mudanças mais profundas, a atual geração traz melhorias positivas para a indústria (e arte) de jogar como um todo.

Dessa forma, todos nós ganhamos.

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