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O ANO DAS DESPEDIDAS: TIM SALE, MAIS UM GRANDE ARTISTA SE VAI

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Olá habitantes do multiverso da nerdice. Parece que a bruxa anda solta no meio da indústria dos quadrinhos…duas semanas após perdermos George Pérez e apenas um mês após perdermos Neal Adams, mais um grande artista dos quadrinhos se foi…Tim Sale.

Como fã de quadrinhos e tendo crescido admirando a arte desses grandes gênios, me sinto na obrigação de prestar uma breve homenagem neste espaço em que vos escrevo.

Então, sigam-me os bons.

UM GÊNIO DE ESTILO PECULIAR

O mestre Tim Sale. Imagem: DC Comics

Tim Sale tinha 66 anos, nascido em Nova Iorque, mas criado em Seattle, se formou pela Escola de Artes Visuais de Nova Iorque e começou desde cedo a trabalhar com quadrinhos. Dono de um estilo bem diferente e peculiar de arte, Tim era daqueles artistas que tem identidade própria em seus traços, confesso que as primeiras artes que vi de Tim me causaram estranheza, mas depois fui conquistado por sua genialidade.

O CASAMENTO PERFEITO


Batman: O Longo Dia das Bruxas por Loeb e Sale. Imagem: DC Comics 

Tim teve no roteirista Jeph Loeb a sua ‘dupla dinâmica’. Durante sua carreira, a parceria com Loeb rendeu várias obras de artes que são verdadeiros clássicos dos quadrinhos, na Marvel e principalmente na DC. Falando em ‘dupla dinâmica’, é justamente uma história do Batman e seu pupilo Robin, a obra mais aclamada da dupla Jeph Loeb e Tim Sale: Batman O Longo Dia das Bruxas. Uma história mais detetivesca do homem-morcego, onde ele enfrenta um serial killer que está atacando os poderosos e mafiosos de Gotham, que inclusive serviu de inspiração para o diretor Matt Reeves no recente filme The Batman.

The Batman do diretor Matt Reeves, teve forte influência da obra de Tim Sale e Jeph Loeb. Imagem: Warner 

Mas na DC, Tim e Jeph produziram também uma das melhores histórias do Superman na minha opinião: Superman As Quatro Estações. Em As Quatro Estações, Tim e Jeph fazem uma belíssima e emocionante homenagem ao Superman, um alienígena repleto de bondade e valores humanos, que foi criado por pais adotivos no interior do Kansas. A história é contada sempre do ponto de vista de uma pessoa próxima ao Superman, ou Clark Kent, e cada fase da sua vida, desde a infância até ele se tornar o Superman é divida em uma estação. A narrativa emotiva de Loeb e a arte magnífica de Tim Sale dão o tom desta obra maravilhosa.

Superman As Quatro Estações, uma das melhores histórias do Super de todos os tempos. Imagem: DC Comics

Tim e Loeb, ainda fizeram mais histórias marcantes na DC, como Vitória Sombria, uma continuação direta do O Longo Dia das Bruxas e Mulher Gato: Cidade Eterna.

A MARVEL NÃO TEM CLÁSSICOS? COM JEPH LOEB E TIM SALE, TEM SIM.

Quadrilogia das Cores da dupla Loeb e Sale pela Marvel. Imagem: Screenrant

Durante as suas carreiras e parceria de sucesso, Tim Sale e Jeph Loeb só criaram clássicos. Na Marvel foram responsáveis pela famosa Quadrilogia das Cores, com: Capitão América Branco, Homem-Aranha Azul, Demolidor Amarelo e Hulk Cinza. São quatro minisséries que retratam os heróis da forma mais emotiva possível, sempre lembrando de alguém próximo a eles e que forammuito importantes na vida desses heróis. Capitão América Branco é uma história sobre sua amizade com seu companheiro de batalha, Bucky…Demolidor Amarelo é sobre Karen Paige e faz uma alusão ao uniforme amarelo que o Demolidor usava no início de carreira…Hulk Cinza é sobre Dr. Banner relembrando seus primeiros dias como Hulk e seu conflito com o General Ross e seu amor pela filha do general, Betty.

Capitão América Branco. Imagem: Marvel Comics

A última história da quadrilogia das cores merece um capítulo especial:

HOMEM-ARANHA AZUL

A melhor história do Homem-Aranha. Imagem: Marvel Comics

A quadrilogia das cores são histórias sobre sentimentos, sobre relacionamentos, sobre saudade…e Homem-Aranha Azul é o ápice de todo esse mix, em sua forma mais pura. A começar pelo título, Homem-Aranha Azul, ou em inglês ‘Spiderman: Blue’, onde ‘blue’ pode ser significar simplesmente a cor azul, ou um sentimento: tristeza.

As capas brasileiras de Homem-Aranha Azul. Imagem: Panini Comics

Homem-Aranha Azul é uma ode ao amor, onde vemos Peter expressar todo seu sentimento por Gwen Stacy, sua namorada de colégio que foi brutalmente assassinada pelo Duende Verde e ele como Homem-Aranha não conseguiu impedir. A história começa com Peter vestido como Homem-Aranha gravando uma fita em um pequeno gravador portátil, como se estivesse conversando com Gwen, a narrativa vai se desenrolando e várias fases da vida de Peter, Gwen, Mary Jane e vários outros personagens e vilões vão sendo contadas. O texto desta HQ é perfeito e você consegue sentir a dor, a saudade e a culpa que Peter carrega em relação à Gwen. Lembro de chorar várias vezes lendo esta HQ, que pra mim é a melhor história do Homem-Aranha já feita. Nela a humanidade de Peter fica ainda mais latente e você fica imerso em um verdadeiro mar de sentimentos e lembranças. 

Atualmente Jeph Loeb é produtor e consultor das produções da Marvel para a TV e seu nome é creditado em várias séries da casa das ideias, como Demolidor. Tim nos deixou, mas sua obra é eterna e seu estilo marcante vai sempre estar impresso em nossos corações.

Eu realmente esperava que um dia poderia conhecê-lo em alguma CCXP (Comic Con Experience) e pegar seu autógrafo na minha edição de Batman: O Longo Dia das Bruxas e na minha quadrilogia das cores, principalmente em Homem-Aranha Azul…mas Deus sabe das coisas e Tim é mais um a se juntar ao panteão dos deuses da nona arte. 

Realmente gostaria de ter apertado sua mão e ter tido a oportunidade de agradecê-lo por suas obras tão marcantes e significantes na minha vida de nerd.

Fica aqui meu agradecimento e minha homenagem. 

Até semana que vem. Para o alto e avante! Stay safe.

 

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