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MEU PRIMEIRO AMOR

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Passava por ela todos os dias. Por incrível que possa parecer, tinha certeza que ela, naquele horário, já ficava ansiosamente me aguardando. No inicio eu a olhava de longe mas depois, tomando coragem, cheguei mais perto e tão perto cheguei que carinhosamente a toquei. Foi incrível a sensação e tenho certeza que foi recíproca. Um caso que, naquele momento, materializava o verdadeiro amor à primeira vista. Dai por diante não tive mais dúvidas, ela seria minha, como de fato foi.

Éramos dois em um, a simbiose perfeita. Não nos separávamos. De dia ou de noite, no sol ou na chuva. Como nos divertíamos. Nossa relação já durava oito anos quando ela começou a apresentar problemas de saúde. No inicio pequenos, mas que, com o tempo foram-se agravando. Com certeza, muito triste, ela já não conseguia me acompanhar nas grandes aventuras, aquelas que exigiam maior desempenho, maior preparo, força e resistência. 

As idas para cuidar da saúde dela começaram a ser regulares e bastante dispendiosas, sem falar nos internamentos que passaram a ser constantes e longos, pois tudo para ela era difícil porque, sendo estrangeira, não era em qualquer lugar que se encontrava o tratamento, remédios e profissionais especializados. Assim, com o coração verdadeiramente partido e com a mente inundada de grandes lembranças, atendendo um pedido dela, levei-a de volta à casa onde a conheci e de onda a tirei.

Como na vida nada e ninguém é insubstituível, quando a entreguei em casa, conheci uma parente dela, bem mais nova e poderosa que ficou ali se exibindo pra mim. Não tão bonita, isso não era, mas começamos a nos ver e acabamos por sair e ficarmos juntos. Estou com ela agora. Nosso relacionamento esta ótimo, tudo funcionando perfeitamente.

Outro dia passei pela casa do meu primeiro amor. Ela não estava mais lá, tomara que tenha encontrado outro parceiro e que esteja recuperada e muito feliz com ele. Sem brincadeira cheguei a verter lagrimas de saudade, pois a grande verdade é que a primeira motocicleta a gente nunca esquece.

Rio de Janeiro, 17 de junho de 2021

Olympio Junior

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1 Comentário

1 Comentário

  1. Érika

    19 de junho de 2021 no 19:47

    Muito bom !!!!!

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